O AI Memory é um projeto aberto, do brasileiro Fabio Akita, que dá memória de longo prazo aos agentes de programação. Hoje, toda sessão nova de um agente começa do zero: você abre o Claude Code e tem de explicar de novo a arquitetura, o que já foi tentado e o que ficou pendente.
Pense num bloco de notas do projeto que o agente escreve sozinho enquanto trabalha. Cada sessão deixa ali o que aconteceu, e a próxima já começa lendo esse resumo. Como o bloco é compartilhado, ele vale também quando você troca de agente: fecha o Claude Code no meio da tarefa, abre o Codex na mesma pasta e continua de onde parou.
O caminho padrão não usa chave de API nenhuma: a captura, a busca e a passagem de tarefa entre agentes funcionam sem chamar um modelo de IA, e tudo roda no seu computador. O que fica aqui é o que o vídeo cortou: o comando de cada sistema, como ligar cada agente e o que acontece com a memória com o passar do tempo.
Comando de instalação
No Linux e no Mac, são dois comandos no terminal:
curl -fsSL https://github.com/akitaonrails/ai-memory/releases/latest/download/install.sh | sh
ai-memory setup
O primeiro baixa o programa para o seu sistema, confere o arquivo contra a soma de verificação publicada na versão e recusa instalar se não bater. O segundo, o ai-memory setup, cria a pasta de dados, liga um serviço que roda em segundo plano e conecta os agentes que encontrar.
No Windows, abra o PowerShell e rode:
irm https://github.com/akitaonrails/ai-memory/releases/latest/download/install.ps1 | iex
ai-memory setup
O suporte nativo ao Windows ainda é experimental. Os sistemas com suporte completo são Linux, Mac e Windows com WSL2 (o Linux que roda dentro do Windows). Se você usa Windows e quer estabilidade, prefira o WSL2.
Passo a passo para ligar no agente
O ai-memory setup procura no computador os agentes instalados e mostra um plano: onde achou cada um e o que vai ligar. Ele pergunta antes de mexer em qualquer coisa. Responda y para ligar todos, ou digite os números dos agentes que você quer.
- Rode
ai-memory setupe leia o plano que ele mostra. - Aprove todos os agentes ou escolha só alguns. Para ver o plano sem mudar nada, use
ai-memory setup --plan. Para escolher numa página do navegador, use--web. - Reinicie os agentes que estavam abertos.
- Pergunte a um deles: "O que você lembra sobre este projeto?". Se o AI Memory estiver ligado, a resposta vem dele.
Rodar o setup de novo não muda nada, então não há problema em repetir.
Agentes com suporte completo: Claude Code, Codex, Gemini CLI e OpenCode. A lista passa de vinte e inclui Cursor, GitHub Copilot CLI, Kimi Code, Kiro CLI e outros. Alguns editores, como VS Code e Zed, ficam só com a parte de busca, sem a captura automática.
Trocar de agente no meio da tarefa
Se quiser que a troca leve também os detalhes da conversa anterior, abra os agentes pelo próprio AI Memory:
ai-memory run claude
ai-memory run codex
Fechou o Claude Code no meio do trabalho e abriu o Codex com ai-memory run codex? Ele recebe o fluxo de trabalho compartilhado e uma cópia temporária, só no seu computador, do histórico visível da sessão do Claude. A passagem funciona assim: cada bilhete tem um dono e é retirado uma única vez, para dois agentes não pegarem a mesma tarefa.
Quem usa Claude Code ou Codex também pode ligar o AI Memory como plugin, em vez de pelo setup. O programa continua sendo instalado pelo comando acima. Os comandos de cada plugin estão no README do projeto, em https://github.com/akitaonrails/ai-memory.
Onde ficam as notas e como consultar
As notas são arquivos de texto comuns, no formato markdown, guardados num repositório Git local. Você pode abrir no Obsidian, procurar com grep, editar à mão ou copiar para outro computador. O banco de dados que acompanha serve só para busca rápida, e sempre pode ser refeito a partir dos arquivos. Nada fica preso num formato que só o programa lê.
Numa instalação de usuário no Linux, a pasta de dados é ~/.local/share/ai-memory. No Mac, os dados ficam em ~/Library/Application Support/ai-memory. Para ver se o serviço está de pé, rode ai-memory status.
A memória é captada em silêncio, por ganchos que o agente dispara durante a sessão, e o conteúdo passa por uma limpeza de privacidade antes de ser guardado. No fim da sessão, o que aconteceu vira páginas legíveis no bloco de notas do projeto. A sessão seguinte recebe um resumo curto e pode pesquisar tudo: por texto, por nomes e por ligações entre páginas.
Como a memória envelhece
Uma memória que só cresce vira bagunça. O AI Memory resolve isso com um envelhecimento parecido com o da nossa cabeça: o que você consulta sempre fica por mais tempo, e o que ninguém usa vai perdendo força.
- Uso conta como lembrança. Abrir uma página, buscá-la ou chegar nela por um link faz ela decair mais devagar.
- Nada é apagado de verdade. A versão original continua guardada no Git. O comando
restore-pagetraz de volta uma versão antiga de uma página. - Sem IA para isso. O envelhecimento, a junção de notas quase iguais e o aviso de notas que se contradizem funcionam sem chave de API.
- Parte vem desligada. O que reescreve ou descarta conteúdo (compactar notas frias, juntar duplicadas) só funciona depois que você ligar.
Antes de rodar restore-page, purge ou qualquer comando que mexa na estrutura das notas, leia o guia docs/lifecycle-ops.md do projeto: ele explica o que cada comando faz com a pasta de dados.
Limites e cuidados
- A ferramenta é grátis; o agente pode ser pago. O AI Memory tem licença aberta e roda no seu computador. O Claude Code e outros agentes cobram do seu jeito, por assinatura ou por uso.
- Resumo com IA e busca por significado são opcionais. O caminho padrão não os usa. Para ligar, você configura um provedor de modelo, e aí a chamada pode ter custo.
- Windows nativo é experimental. Prefira WSL2 ou um Linux.
- Você instala um programa que roda em segundo plano. Leia o plano do
ai-memory setupantes de aprovar e, se preferir, use--planprimeiro.
Fontes
- Repositório do projeto, README e documentação: https://github.com/akitaonrails/ai-memory (conferido em 19/10/2026).