O Claude Code tem duas partes que costumam ser confundidas. Uma é o programa: a ferramenta que lê seus arquivos, roda comandos e edita código. A outra é o cérebro: o modelo Claude, que pensa e decide o que fazer. O programa você instala de graça. O cérebro é pago, por assinatura ou por uso da API.
Quando alguém diz "dá para usar o Claude Code de graça", normalmente está falando de manter o programa e trocar o cérebro. É isso que faz o Free Claude Code, um projeto independente de código aberto: ele fica no meio do caminho e desvia cada pedido que iria para o Claude para outro modelo, alguns gratuitos.
Então a frase é verdade pela metade. Você usa o mesmo programa, mas o Claude mesmo fica de fora, e a qualidade passa a depender do modelo que você escolher. Este guia explica como isso funciona, o que é grátis e quais são os limites.
Os links
- Repositório: https://github.com/Alishahryar1/free-claude-code
- Situação em 05/10/2026: 56.701 estrelas no GitHub, criado em 28/01/2026 e atualizado com frequência.
- Aviso do próprio projeto: "Independent open-source project. Not affiliated with or endorsed by Anthropic." Ou seja, não tem ligação com a Anthropic.
O que é um proxy
Proxy é um intermediário. Em vez de o Claude Code falar direto com os servidores da Anthropic, ele fala com o proxy, e o proxy repassa o pedido para outro lugar. Para o Claude Code nada mudou: ele manda o pedido e recebe a resposta. Quem responde é que é outro modelo.
Para onde o pedido vai
O Free Claude Code aceita vários destinos:
- Modelos da NVIDIA, pelo serviço NVIDIA NIM. O guia rápido do projeto usa o Nemotron como padrão, com chave grátis da NVIDIA.
- Modelos da DeepSeek e de outros provedores.
- Um modelo que roda no seu computador, pelo Ollama ou pelo LM Studio. Aqui não há cota: o limite é a potência da sua máquina.
Ele também funciona com outros agentes de código além do Claude Code, como Codex e OpenCode (11 no total, segundo o projeto).
O que é grátis, segundo o projeto
O README fala em 59 provedores compatíveis com os termos de uso de cada um e em mais de 1,3 bilhão de tokens grátis por mês somando as cotas gratuitas. Token é o pedaço de texto que o modelo lê ou escreve; uma página de texto tem algumas centenas.
A instalação é feita com um comando no Windows, no macOS e no Linux, e abre um painel de administração onde você escolhe os provedores e cola as chaves. O comando exato de cada sistema está no README, e vale pegá-lo de lá, porque muda entre versões.
Os limites do grátis
- Quem decide a cota é cada provedor. O próprio projeto avisa: "Free-tier availability and limits are controlled by each provider and may change." A cota de hoje pode não existir amanhã.
- Cota acaba. Numa sessão longa de programação, o agente faz muitos pedidos seguidos. É comum bater no limite diário de um provedor e precisar trocar para outro.
- Qualidade muda com o modelo. O programa é o mesmo, mas um modelo menor erra mais em tarefa longa, esquece instrução e escreve código pior. Para tarefa simples a diferença é pequena; para projeto grande, aparece.
- Seu código passa pelo provedor. Cada pedido leva trechos dos seus arquivos. Leia a política de dados do provedor antes de usar em projeto de trabalho ou com informação de cliente.
Como escolher
- Para testar e aprender, use o modelo padrão do guia rápido. É o caminho com menos configuração.
- Para privacidade, use um modelo local. Nada sai do seu computador, mas exige máquina com memória e placa de vídeo razoáveis.
- Para trabalho sério, compare o resultado com o Claude numa tarefa real antes de decidir. Se o modelo grátis te faz refazer tudo, o grátis saiu caro.