Você pede uma mudança e ela já sai mexendo nos arquivos. Não perguntou nada, não mostrou o que ia fazer.
Aí você abre o projeto e vê seis arquivos mudados. Entender o que ela fez e desfazer o que não presta dá mais trabalho do que teria dado fazer na mão.
O que corrige isso não é prompt melhor. É ordem: primeiro ela lê, depois ela planeja, você aprova, e só então ela escreve. E existe um modo que impõe essa ordem em vez de pedir.
O atalho
Shift+Tab cicla entre os modos de permissão. Você aperta e o modo atual aparece na
tela.
A ordem do ciclo:
| Modo | O que ela pode fazer |
|---|---|
| default | Pede sua confirmação a cada ação que altera algo |
| acceptEdits | Aceita as edições automaticamente, sem perguntar |
| plan | Lê e explora, mas não edita nada |
| bypassPermissions | Não pergunta nada (quando disponível) |
| auto | Automático (quando disponível) |
O que você quer é o plan. Aperta Shift+Tab até ele aparecer.
No Windows, se o
Shift+Tabnão responder por causa do runtime do terminal, o atalho alternativo documentado éAlt+M. No aplicativo de desktop não tem atalho: é um seletor de modo ao lado do botão de enviar.
O bloqueio é real, não um pedido
Esta é a parte que muda o valor da coisa toda.
Você pode escrever "não edite nada ainda, só me mostre o plano" no prompt. Às vezes funciona. Às vezes ela entende que aquele arquivo é só um detalhe, mexe, e você descobre depois. Instrução em texto é sugestão — e sugestão se perde quando a conversa fica longa.
O plan mode não é isso. É um modo de permissão: a documentação descreve que nele ela lê arquivos e roda comandos para explorar, e propõe um plano sem editar o seu código. A restrição está na camada de permissão, não na boa vontade dela.
A diferença prática: com prompt, você torce. Com o modo, não tem como sair errado.
O ciclo completo, na ordem
1. Entre no plan mode com Shift+Tab antes de fazer o pedido. Depois é tarde — ela
já mexeu.
2. Faça o pedido normalmente. Vale ser generoso aqui, porque nada vai ser escrito:
Quero trocar a autenticação por sessão em cookie por token JWT.
Lê como está hoje e me diz o que precisa mudar, arquivo por arquivo,
antes de escrever qualquer coisa.
3. Ela lê e explora. Abre os arquivos, roda comandos de leitura, entende como funciona hoje. Nada é escrito nessa fase.
4. Ela devolve o plano. E aqui está o momento que economiza a tarde: você lê o plano
com o projeto ainda intacto. Se ela entendeu errado, corrigir custa uma frase — não um
git reset.
5. Você aprova, corta ou corrige. Coisas úteis a dizer nesse ponto:
- "O passo 3 não: aquele arquivo é gerado, não edite na mão."
- "Faz só os passos 1 e 2 por enquanto."
- "Antes de aprovar: por que você escolheu mexer no middleware em vez do handler?"
6. Aprovado, ela sai do modo e executa.
Editar o plano no seu editor: Ctrl+G
Quando o plano está quase bom e você quer mexer no texto em vez de descrever a correção por
conversa, Ctrl+G abre o campo de texto no seu editor padrão. (O Ctrl+X Ctrl+E, do
readline, faz o mesmo.)
Você edita, salva, fecha — e o texto volta para a sessão como o seu prompt.
Serve para o caso em que explicar a correção por escrito daria mais trabalho do que fazer a correção: reordenar passos, apagar três itens, reescrever um trecho inteiro.
Quando não usar
Plan mode tem custo: são duas rodadas em vez de uma. Não vale para tudo.
Pula o plano quando:
- Você consegue explicar a mudança em uma frase ("renomeia essa função para X")
- É um arquivo só e você sabe qual
- É experimento descartável, que você vai jogar fora de qualquer jeito
Usa o plano quando:
- A mudança encosta em mais de um arquivo
- Você não sabe direito onde a coisa está implementada
- É código que outra pessoa escreveu
- Já deu errado uma vez nesse mesmo pedido
- É refatoração, migração, ou troca de biblioteca
A regra prática: se você não consegue prever quais arquivos vão mudar, você precisa do plano — porque a surpresa é exatamente o que sai caro.
Um hábito que economiza mais que o atalho
Mesmo fora do plan mode, a frase que muda a maior parte dos resultados é uma só, no fim do pedido:
"...antes de mexer em qualquer coisa."
Ela empurra o diagnóstico para antes da ação. O plan mode é a versão garantida disso — mas
a frase já resolve boa parte dos casos em que você esqueceu de apertar Shift+Tab.